História CCON

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Centro Cultural Oscar Niemeyer

 

Situado na região sudoeste de Goiânia, o Centro Cultural Oscar Niemeyer é um amplo conjunto voltado à arte, com 19.645 m2, sendo 17 deles de área construída. O espaço leva o nome do arquiteto, que nunca havia projetado uma obra na cidade. O desenho é simples: quatro volumes com formas e usos distintos, sobre uma esplanada retangular.

Em 1999, Niemeyer foi convidado pelo governador Marconi Perillo a criar o Monumento aos Direitos Humanos. Segundo relata o arquiteto Marcílio Lemos, ele foi ao escritório de arquitetura de Niemeyer, no Rio de Janeiro, que não conhecia o Chefe do Executivo goiano; e disse, de forma enfática: ― “Vim cobrar o aluguel das terras em que o senhor construiu Brasília!”. O arquiteto logo percebeu que se tratava de uma brincadeira e passou a ouvir a encomenda que, pouco antes da viagem ao Rio, já se ampliara para um centro cultural.

Niemeyer empolgou-se e ficou sensibilizado com a ideia de batizar o espaço com seu nome. Mas o local de implantação era incerto. A primeira proposta seria no Lago das Rosas, ao lado do zoológico, mas foi abandonada por questões ambientais. Cogitou-se também a área próxima à rodoviária, hoje transformada em um centro de compras denominado Estação Goiânia. Entrou em pauta então o terreno atual, de propriedade do empresário Lourival Louza, mas havia uma pendência jurídica sobre a gleba, que na década de 1980 fora doada para a construção de um centro de convenções, não levada a cabo. Com isso, uma ação contra o Estado pedia a área de volta. As negociações levaram a um acordo: os novos prédios de Niemeyer ocupariam 60% do lote e os outros 40% seriam devolvidos ao antigo dono. O arquiteto visitou o local e readequou o projeto a essa condição, um ano depois da definição do terreno, o centro foi inaugurado.

Na trajetória do arquiteto, é comum a criação de conjuntos em que cada prédio, ocupado por um item do programa, adota uma forma diferente, com uma composição espacial entre si. O Centro Cultural Oscar Niemeyer não foge à regra: são quatro edifícios diversos no formato - uma cambota, um triângulo, um cilindro suspenso e um pavilhão - e na ocupação (respectivamente, teatro, memorial, museu e biblioteca). ― “É uma composição de volumes puros: um triângulo, um círculo e um retângulo”, segundo informação de Paulo Mendes da Rocha.

E para a composição ficar mais clara - tal como numa natureza-morta de Morandi - os quatro volumes estão implantados em uma grande esplanada retangular, de 26 mil metros quadrados. É ela que suporta e delimita a relação entre os volumes. Na frente estão o teatro (à esquerda) e o memorial (à direita). À primeira vista, o teatro, com 6.403,14 metros quadrados, lembra a Oca (sem escotilhas) e o Senado, conhecidos trabalhos do autor. No entanto, a entrada principal encontra-se no fundo, o que dá pureza à forma na porção frontal, que é parcialmente circundada por espelho d´água. O espaço tem capacidade para até três mil espectadores.

O Monumento aos Direitos Humanos é um prédio curioso: único elemento vermelho da composição (os outros são pintados de branco). Trata-se de uma pirâmide de concreto, com 75 metros de altura, oca por dentro. O memorial em si, um pequeno espaço com auditório de 166 lugares, está abaixo da esplanada e possui 700 metros quadrados. O volume rubro é a entrada, ao mesmo tempo em que cobre o foyer.
Ao lado do Monumento, está o Museu de Arte Contemporânea, um volume circular suspenso de 4 mil metros quadrados, apoiado em pilar central. O acesso é feito por uma rampa, que esconde parcialmente o grande esforço estrutural do edifício. No primeiro piso, fica o espaço de exposição permanente, e o mezanino é dedicado a mostras temporárias. Parte do programa está sob a esplanada, onde ficam a administração, a reserva técnica e duas galerias.

Fazendo às vezes de pano de fundo da composição (ideia reforçada pelo vidro preto), a biblioteca, com 4.020 m2 mil metros quadrados, é um pavilhão em pilotis, com três pisos, subsolo e cobertura destinada a um restaurante panorâmico.

O acesso principal do conjunto, pela Avenida Jamel Cecílio é feito através de uma escadaria larga. No dia-a-dia, os visitantes chegam pelos fundos, onde fica o estacionamento com 470 vagas. Observada dali, a plataforma da esplanada transforma-se em laje, e percebe-se que parte dela é ocupada: são dois cinemas com 209 lugares cada, cinco lojas e um bar, além de áreas técnicas. Tal como na cidade de Brasília dos primeiros anos, a composição funciona à vista do visitante: a planície verde junto ao horizonte dá ênfase aos volumes puros e força a sua composição geométrica.

A tarde da inauguração, no dia 30 de março de 2006, foi indescritível, o sol poente manchava o céu com uma paleta invejável de cores. De repente, uma tempestade se anunciou no horizonte, misturando mais ainda os tons. A chuva não veio, mas um arco-íris cruzou o céu, com o mesmo raio do teatro e exatamente sobre ele. Talvez uma homenagem do cerrado ao arquiteto que o colocou no mapa. Possivelmente cenas como essa, engrandecidas pela natureza, logo não serão mais possíveis, num entorno ocupado pelo voraz mercado imobiliário. E, ironicamente, isso terá ocorrido, em parte, por culpa do próprio centro cultural.

Segundo o arquiteto Oscar Niemeyer, o que mais lhe agradou nesse projeto, além do aspecto inovador, é a grande superfície de concreto - a esplanada cultural. Com essa solução, a praça e o estacionamento ficaram bem definidos. Sobre esse plano foram dispostos os quatro edifícios: o grande volume de concreto onde se situa a biblioteca; o palácio da música; Museu de Arte Contemporânea, na forma de um cilindro branco; e o Monumento aos Direitos Humanos. O primeiro é um edifício grande, com três pavimentos em pilotis. O segundo, o palácio da música, tem auditórios nos níveis superior e inferior, além de bares/restaurantes. O terceiro, servido por uma rampa, tem uma ampla área de exposições e um extenso mezanino perimetral para a exposição de gravuras e desenhos. O quarto,  completando o conjunto, é o Monumento aos Direitos Humanos, um grande triângulo de concreto vermelho que confere ao complexo a importância desejada.



Fonte: Texto resumido da Revista PROJETODESIGN - Edição 326 Abril de 2007